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OBS: Não deve ser usada pelos profissionais de saúde no ambiente de trabalho em substituição aos EPIs.

 

José de Paiva Rebouças – Agecom 

Com a pandemia da Covid-19 as pessoas estão fazendo de tudo para se proteger e isso gerou um sério desabastecimento dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), principalmente as máscaras descartáveis. Buscando proteção, muitas pessoas estão produzindo esse material em casa ou em ambientes fabris improvisados que não atendem a critérios de segurança sanitária. No entanto, especialistas alertam que é necessário seguir uma série de cuidados para não tornar esse utensílio mais um contaminante na luta contra a Covid-19 e outros vírus e bactérias.

As máscaras são recomendadas para profissionais de saúde ou para quem tem algum sintoma, mas a preocupação com a doença tem feito as pessoas as usarem sem limite. O próprio Ministério da Saúde tem sugerido que as pessoas façam suas próprias máscaras e até publicou algumas orientações. Mas, de acordo com o engenheiro e professor do Departamento de Engenharia Têxtil (DET) da UFRN, Jose Ivan de Medeiros, é importante atentar que as máscaras de tecido não oferecem a mesma proteção que as desenvolvidas pela indústria que são certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O tecido, por sua estrutura têxtil, é muito aberto quando comparado com o tecido-não-tecido – TNT”, compara Ivan. Isso significa que o vírus pode ultrapassar a barreira facilmente e ampliar a possibilidade de contaminação. Segundo o professor, todo tecido filtrante é feito de TNT por sua estrutura, composta de aglomerado de fibras, cujo intervalo interfibrilar é o que vai definir o tamanho do poro, de acordo com a necessidade de utilização. Além disso, o produto possui uma série de camadas que são a prova de água e que possuem poder de filtração contra os microrganismos. O TNT é um material semelhante ao tecido usado para roupas e outras aplicações, mas é obtido a partir de uma liga de fibras e ou polímero, geralmente o polipropileno, matéria base para a fabricação de produtos plásticos.

“A máscara é apenas um instrumento de proteção, mas ela protege muito mais quem está com algum sintoma. A maior proteção ainda é manter as mãos limpas”, reforça Ivan. Como a máscara é um objeto estranho à rotina, ela pode ser responsável pelo aumento do contato do rosto com as mãos e aumentar a possibilidade de contaminação por vírus e bactérias. Quando o material não tem capacidade de filtração, essa chance aumenta ainda mais, principalmente porque ficará húmida pela respiração e salivação. Importante lembrar que o vírus se propaga por gotículas que fixam em superfícies ou ficam suspensas no ar.

Pesquisa da UFRN

Praticamente todas as máscaras utilizadas no Brasil são trazidas da China que oferece maior competitividade para esse produto. Contudo, diante do desabastecimento e da necessidade do estado em adquirir esse EPI, o Ministério Público Estadual (MPE) procurou a UFRN para discutir a possibilidade de encontrar materiais alternativos para servir de referência para indústrias que queiram assumir essa produção.

Segundo Ivan Medeiros, o DET e a Agência de Inovação (AGIR) da UFRN estão estudando alguns materiais que possam ser utilizados neste momento. Caberá à Universidade apenas analisar os tipos de TNT, observando caraterísticas específicas (atóxico, inodoro, capacidade de filtragem, entre outros) que ofereçam o máximo de segurança, já que não dispõe de capacidade de produção desse tipo de material. “A fabricação desse produto precisa ser toda automatizado sem o contato humano para evitar contaminação, por isso a necessidade de um rigoroso controle biológico da produção”, reforça Ivan.

Fabricação caseira

Preocupada com a angústia das pessoas de fabricar sua própria máscara de proteção utilizando tecidos comuns, a professora Iara Marques de Medeiros, do Instituto de Medicina Tropical (IMT/UFRN), produziu uma série de recomendações que devem ser seguidas. Essas orientações asseguram o máximo de qualidade do produto fabricado, bem como diminui o risco de contaminação e exposição das pessoas que dele se utiliza.

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