Marca Maxmeio

Notícias

Iano Flávio Maia de Agecom

Foi-se o tempo em que os museus viviam apenas do passado. É pensando no futuro que o Museu Câmara Cascudo lança, nesta sexta-feira, 20, uma campanha de financiamento coletivo pela internet para garantir a preservação das matrizes de xilogravura de José Costa Leite, um dos maiores acervos da região Nordeste. O projeto foi selecionado no edital Matchfunding BNDES+ 2020, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e precisa arrecadar parte dos recursos a partir de doações para garantir o financiamento total do projeto. 

A ideia do museu é garantir a preservação de mais de 600 matrizes de xilogravura do paraibano José Costa Leite, guardadas precariamente em sua casa, no município de Condado, no estado de Pernambuco. O poeta e xilogravurista de 93 anos é reconhecido nacional e internacionalmente tanto por seus poemas quanto por suas ilustrações, além de ser editor e vendedor de folhetos de cordéis nas feiras da região.

Agora, em seu aniversário de 60 anos, o Museu Câmara Cascudo quer celebrar o talento do artista paraibano e preservar seu acervo de matrizes. A proposta do projeto é compartilhar a sensibilidade e a imaginação de José Costa Leite com todos os que ainda não tiveram o prazer de conhecê-lo. O projeto prevê a compra e a digitalização de todas as peças e a divulgação do acervo pela internet. Depois, o material passa a fazer parte de exposições e publicações sobre a arte da xilogravura dirigidas a públicos cada vez mais amplos e diversificados. 

Financiamento Coletivo

As regras do matchfunding são as mesmas de uma campanha de financiamento coletivo. O projeto é divulgado por meio do portal Benfeitoria — contratado pelo BNDES para viabilizar o edital —, no qual todo o funcionamento do projeto e o uso do dinheiro são explicados aos apoiadores. Os participantes recebem recompensas de acordo com o valor doado — e vão desde agradecimentos nas redes sociais, para os menores valores, até uma matriz de xilogravura inédita de José Costa Leite, para quem escolher a doação máxima. A diferença é que, para cada real investido na campanha através do site, o BNDES investe outros R$ 2 no projeto. A campanha segue até o dia 20 de dezembro, quando a meta de R$ 121 mil precisa ser alcançada, ou o projeto não será financiado. Os valores das doações vão de R$ 10 a R$ 5 mil e ainda podem ser parceladas em até seis vezes, no cartão de crédito. 

Os recursos financeiros serão gerenciados pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura, que também está responsável por toda a gestão burocrática do projeto. A partir de hoje, as equipes do museu e da UFRN começam o trabalho de mobilização para garantir a arrecadação dos recursos com a comunidade universitária, os amigos do museu e os amantes da cultura. 

Os primeiros trabalhos de Costa Leite foram lançados ainda no final dos anos 1940, com os cordéis Eduardo e Alzira Discussão de José Costa com Manuel Vicente. Foi somente no terceiro título que Costa Leite decidiu improvisar a ilustração da capa em xilogravura. Dali para frente, não parou mais. Já nos anos 1960, seu trabalho de xilógrafo ganha status de obra de arte e passa a ser exposto em museus do Brasil e do exterior. Em 2005, participa de uma exposição no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines, na França, onde também ministra oficinas sobre o seu trabalho. Em 2007, aos 80 anos, foi homenageado pelo Governo da Paraíba e recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. 

Participe

Qualquer pessoa pode participar da campanha com doações ou compartilhando a página nas redes sociais. Você pode saber mais detalhes pelo Facebook ou Instagram do Museu Câmara Cascudo, pelas redes sociais da UFRN ou ainda pelo site da campanha no endereço https://benfeitoria.com/josecostaleite.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Btn Posts Anteriores