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A bordo do Navio-Patrulha Oceânico “Araguari”, da Marinha, comissão seguiu em expedição ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo, localizado a cerca de mil km de Natal
 
A educação e a ciência são pilares importantes para o desenvolvimento de um país e, quando diversas instituições se unem em prol desse objetivo, o resultado é a consolidação da soberania nacional. Nessa perspectiva, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) integra, desde o início, o Programa Arquipélago de São Pedro e São Paulo (Proarquipélago) – iniciativa coordenada pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) e que conta com as participações da Marinha do Brasil, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de outros órgãos de ensino e pesquisa. Nesse mês de setembro, uma comissão, a bordo do Navio-Patrulha Oceânico “Araguari”, da Marinha do Brasil, seguiu em expedição ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), localizado a cerca de mil km de distância de Natal – RN, com o objetivo de avaliar as condições para retomada dos projetos de pesquisa, bem como para execução de trabalhos de manutenção e de melhoramentos na Estação Científica. Construída em 1998, nessa base são desenvolvidas pesquisas por universidades e institutos e o local garante a incorporação de 450 mil km2 ao território nacional como zona econômica exclusiva do país. Diante da importância estratégica do ASPSP, convidado pelo vice-almirante Noriaki Wada, comandante do 3º Distrito Naval, o reitor da UFRN, José Daniel Diniz Melo, viajou na comitiva, junto ao pró-reitor de Extensão, Graco Viana, e outros pesquisadores da instituição de ensino. Entre os militares que participaram da missão, estavam estudantes e ex-alunos da Universidade, nas mais diversas funções, como engenharia mecânica, comunicação social, biologia, engenharia elétrica e medicina. Para o professor Daniel Diniz, o local é estratégico para o Brasil do ponto de vista científico, devido à biodiversidade e às condições atmosféricas únicas, que geram interesse em cientistas por abrir diversas possibilidades de pesquisas em áreas como Psicologia, Ecologia, Geologia, Geofísica, Genética, História, Oceanografia e Limnologia, entre outras. Ainda na avaliação do gestor, o arquipélago é um ambiente frágil, o que justifica todos os cuidados que vêm sendo observados no desenvolvimento das pesquisas. Os conhecimentos gerados poderão contribuir para a produção de riquezas no mar com eficiência e sustentabilidade. “A chamada Amazônia Azul é um mundo de oportunidades a ser estudado. Dessa forma, pensar no desenvolvimento sustentável de atividades no mar é pensar no futuro do nosso país”, analisa o reitor.

Para o gerente do Programa de Pesquisas Científicas no ASPSP, capitão de fragata Marco Antonio Carvalho de Souza, “essa área abriga um patrimônio gigantesco com grande relevância para o desenvolvimento do país”. Ainda conforme o militar, a habitabilidade da região se dá de forma contínua, respeitadas as condicionantes ambientais, por meio da Estação Científica, que foi especialmente projetada para resistir às intempéries características do local.

Sob a coordenação Técnico-Operacional e Científica do professor Jorge Lins, a UFRN participa do Programa desde o início. Ele conta que “a Estação Científica era uma aspiração da comunidade acadêmica, que precisava de um laboratório natural como esse”. Por meio de parcerias e interesses estratégicos e institucionais, foi possível a construção do espaço, que teve, em 2008, uma segunda estação finalizada, substituindo a primeira.

Como a viagem foi coordenada pela Marinha do Brasil, o grupo de pesquisadores teve ainda a oportunidade de conhecer outras ações da força naval, como a fiscalização de embarcações; operações de combate ao tráfico de drogas, ao tráfico de pessoas, à pesca ilegal predatória; bem como as operações conjuntas com outros países no combate à pirataria.

Rumo ao arquipélago

A viagem ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo teve início com embarque no Navio-Patrulha Oceânico “Araguari”, no dia 13 de setembro. Devido à pandemia da covid-19, foram seguidos os protocolos de biossegurança, com testagem e quarentena no navio, atracado na Base Naval de Natal. O grupo chegou ao conjunto de ilhas no dia 22 de setembro, onde se dirigiu à Estação Científica, cuja configuração atual tem capacidade para abrigar quatro pessoas por vez.

Entre as atividades realizadas pela Base Naval de Natal para melhoria da Estação, ocorreu a manutenção da infraestrutura, instalação de um novo sistema de internet, reparo no sistema de telefonia, instalação de um gerador para emergências e revisão dos sistemas dos painéis solares. A viagem teve fim no dia 27 de setembro, com a chegada da comissão à Base Naval de Natal.

Laboratório natural

O Arquipélago de São Pedro e São Paulo é uma formação rochosa que recebeu esse nome após o resgate, em 1511, pela caravela portuguesa São Paulo, de marinheiros que haviam caído da embarcação São Pedro, também de origem lusitana, e lá sobrevivido. A área é o topo de uma montanha formada na região de encontro de placas tectônicas que separam os continentes americano e africano.

Com uma área total emersa de aproximadamente 17 mil m2 e uma elevação máxima de 18 m acima do nível do mar, há o registro que um dos primeiros cientistas a estudar o local foi o naturalista inglês e autor da Teoria da Evolução, Charles Darwin, a bordo do “HMS Beagle” em 1832.

O conjunto de ilhas oceânicas brasileiras tem recebido cada vez mais pesquisadores brasileiros, e tem se tornado estratégico para o país nos aspectos econômico, já que a área é rota migratória de peixes e incrementa a atividade pesqueira nacional; político, possibilitando o alargamento da fronteira brasileira; além de científico, em virtude da rica biodiversidade e condições únicas para realização de pesquisas, visto que muitas espécies migratórias passam pela ilha, existem diversas espécies endêmicas no local, bem como há o registro frequente de atividades sísmicas.

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