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Karenina Hentz da Cunha Lima é arquiteta e urbanista potiguar, referência em pensar as temáticas de sua área com os vieses de gênero e interseccional. À frente da Coletiva Nísia Floresta – Mulheres pela Equidade, Dignidade e Cidadania (RN) –, enquanto Coordenadora da pasta de Arquitetura, Urbanismo e Sustentabilidade, Karenina desenvolve ações voltadas para as mulheres, com a perspectiva interseccional. Desta vez, o projeto “Nós somos essa terra”, idealizado por ela, visa angariar alimentos não perecíveis, álcool em gel e máscaras de proteção, bem como alimentos para crianças, destinados à população de mulheres indígenas da comunidade “Rio dos Índios”, os Indígenas do Vale, localizada em Ceará Mirim, que está passando por inúmeras dificuldades, em virtude das consequências arrasadoras da Covid-19. Confira a entrevista completa com Karenina:

  1. Qual a importância de ações sociais que envolvem Sustentabilidade?

    Karenina: devemos partir da ideia básica de que a sustentabilidade tem três pilares edificantes: ambiental, econômico e social. Isto quer dizer, para haver uma sociedade que se sustente, é de extrema relevância que atribuamos a devida importância às necessidades sociais que nos rodeiam. Através da Coletiva Nísia Floresta, e priorizando a Interseccionalidade com as mulheres indígenas, por exemplo, nos movimentamos e pedimos a participação de todas as pessoas para uma sociedade sustentavelmente justa. Neste primeiro momento, estamos priorizando os pilares ambiental e social, visto que a comunidade indígena é, sabidamente, também essencial para a preservação da natureza. Logo, estamos promovendo uma ação social e de relevância ambiental, sem perder de vista o nosso viés humano de, através desta ação, dar visibilidade à comunidade indígena e às suas necessidades. Supridas essas primeiras necessidades emergenciais, nas próximas ações partiremos com o enfoque do terceiro pilar, o econômico, com a intenção de fomentar práticas educacionais e capacitação deste grupo, para que se mantenham através de trabalhos possíveis, preservando a sua cultura e, deste modo, integralizando tudo o que entendo por sustentabilidade.

  2. Em sua opinião, faltam campanhas informativas para a sociedade desenvolver práticas sustentáveis, como a reciclagem?

    Karenina: embora haja diversas iniciativas, principalmente de cooperativas, a população ainda não está devidamente informada para desenvolver práticas sustentáveis, que vão desde um consumo consciente até o reuso dos materiais e o descarte apropriado dos mesmos, dentre tantas outras práticas, que também podem ser específicas e variantes, a depender de determinada cultura ou região. Para além disso, percebo ainda uma carência de opções que facilitem com que a população possa ser estimulada a desenvolver, enquanto práticas, este consumo sustentável.

  3. Qual o diferencial das empresas que se engajam a promover a causa da sustentabilidade?

    Karenina: tendo em vista a grande necessidade de preservação da sociedade, do meio ambiente e da economia, é necessário que as empresas, em primeiro lugar, desenvolvam um olhar mais atento e humanizado aos seus representantes trabalhadores, o que entendo ser socialmente mais sustentável – já que essas pessoas também serão fomentadoras de práticas sustentáveis e autossustentáveis. Já no que diz respeito à questão do meio ambiente, entendo ser urgente utilizar produtos oriundos de fontes sustentáveis – sejam eles materiais ou energéticos –, tendo um planejamento para evitar, ao máximo, os desperdícios que podem ser gerados especialmente pelas empresas, por exemplo. E no que importa ao aspecto econômico, de acordo com a posição de cada um, acredito que deve haver o retorno financeiro adequado, que torne a vida de cada parte integrante de determinada empresa, economicamente viável.

  4. Qual a relevância de promover ações sociais direcionadas aos povos indígenas do RN, com as perspectivas de gênero e interseccional?

    Karenina: a importância das ações sociais direcionadas aos povos indígenas, observando especialmente a situação das mulheres nestas comunidades, é de se perceber, com a sensibilidade devida, que ser mulher, em uma comunidade indígena brasileira, que já é marcada pela invisibilidade e pela falta de reconhecimento histórico, roga por ações específicas. Por outra parte, a pandemia da Covid-19 acentuou o que já estava necessitando de um olhar social mais atento. Enquanto houver as dificuldades geradas por este contexto, por exemplo, resistir juntas, enquanto sociedade, angariando o que é mais urgente e necessário para preservação da dignidade e da vida desses povos, até que eles tenham as condições necessárias para voltarem a se manter, com suas práticas integrais – tanto de sua cultura, quanto na maneira de sua própria subsistência – é um recado efetivo para a sociedade de que precisamos nos unir

  5. Em sua visão, onde está a pertinência de resgatar a existência dos povos indígenas do RN?

    Karenina: os povos indígenas são parte essencial formadora da nossa identidade enquanto “povo brasileiro”. Ainda assim, historicamente, permanece a invisibilidade e a marginalização dessas comunidades. Por isso, é mais do que necessário não somente resgatar a existência dos povos indígenas, em nosso caso, do RN, mas através da educação, ensinar o significado desses povos para a sociedade. Por outra parte, também através da educação, estimular que a própria comunidade indígena permaneça em contato com suas raízes e sua ancestralidade, com o afã de preservarem a sua própria cultura e tradições e gerarem, dessa maneira, a auto-representatividade social.

    Para colaborar com a campanha “Nós Somos Essa Terra”, entrar em contato com kareninahcl@gmail.com

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